Sobre não me conhecer tanto quanto eu achava


Esses dias, rolando distraidamente pela for you do TikTok, me deparei com um vídeo de uma psicóloga que perguntava: “Você realmente se conhece?”
E eu parei. De verdade.

Fiquei pensando em quantas vezes alguém já me pediu para falar sobre mim — e em como eu quase nunca sei o que responder. Não é timidez. É falta de saber. Eu não sei falar sobre mim, não sei explicar como estou me sentindo, não sei colocar nome nos sentimentos. Muitas vezes, eu nem sei o que estou sentindo.

Perceber isso me deixou desconfortável. Porque é estranho viver dentro de si e, ainda assim, não se reconhecer. É como morar numa casa e nunca entrar nos próprios quartos.

E aí veio a pergunta que ficou martelando na minha cabeça:
como eu posso mudar isso, além, é claro, de fazer terapia?

A resposta que tem feito mais sentido pra mim é que talvez o começo esteja nas coisas pequenas. Em parar de fugir de mim mesma. Em me permitir sentir sem tentar organizar tudo na hora. Em observar minhas reações, meus silêncios, meus incômodos. Em escrever quando der vontade, mesmo sem saber exatamente o porquê. Em aceitar que eu não preciso ter todas as respostas agora.

Talvez o autoconhecimento comece quando eu paro de me cobrar tanto e começo a me escutar mais. Quando eu entendo que não saber falar sobre mim não é um defeito, mas um sinal de que ainda estou aprendendo.

Esse pensamento continua ecoando.
Mas hoje ele soa menos como cobrança e mais como um convite:
o de me conhecer no meu tempo, do meu jeito, um pouco por dia.



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